IG Nobel 2008

Você certamente já ouviu falar do disputadíssimo Prêmio Nobel, sonho de consumo declarado de boa parte de gente que dedica a vida à pesquisa científica, à literatura e à política.

Mas será que você sabe que nessa época são laureados também os ganhadores do IG Nobel, um trocadilho bem-humorado do prêmio com a palavra ignóbil, ou infame? O IG Nobel é organizado pela Universidade de Harvard desde 1991. Os trabalhos são analisados por uma comissão multidisciplinar que inclui atletas, autoridades políticas e científicas, e vários ganhadores do Prêmio Nobel original.

O objetivo é celebrar o incomum, honrar a imaginação e despertar o interesse das pessoas pela ciência, medicina e tecnologia, tudo com muito bom-humor. Nesses tempos de culto à inovação, nada mais bem-vindo.

A cerimônia acontece em Harvard para uma exclusiva audiência de 1.200 pessoas e a platéia tem o tradicional hábito de jogar aviõezinhos de papel no palco durante o evento. Assim, laureados com o Nobel (sim, aqueles sisudos cientistas ganhadores dos prêmios de física, química e medicina, entre outros) varrem (sim, com vassouras mesmo) os aviõezinhos no palco. Eles se protegem com chapéus chineses para não
serem atingidos pelos petardos e passam a cerimônia inteira varrendo. Às vezes interrompem a labuta para entregar algum prêmio, pois todos os IG Nobel são entregues por Nobels autênticos.

A idéia é contemplar pesquisas e patentes improváveis. Os premiados de cada ano têm os seus artigos publicados em um livro com uma linguagem mais acessível. Veja os ganhadores desse ano (atenção, pela primeira vez pesquisadores brasileiros foram agraciados com o prêmio):

Arqueologia
Astolfo Gomes de Mello Araújo e José Carlos Marcelino (brasileiros!) por demonstrarem que tatus podem alterar resultados de escavações arqueológicas.

Biologia
Marie-Christine Cadiergues, Christel Joubert e Michel Franc por descobrirem que pulgas que vivem em cães podem pular mais alto que as que vivem em gatos.

Ciência cognitiva
Toshiyuki Nakagaki, Hiroyasu Yamada, Ryo Kobayashi, Atsushi Tero, Akio Ishiguro e Agota Toth por descobrirem que bolor de lama pode resolver quebra-cabeças.

Economia
Geoffrey Miller, Joshua Tyber e Brent Jordan por estudarem que strippers ganham mais dinheiro quando estão no pico do período fértil.

Física
Dorian Raymer e Douglas Smith por provarem que grandes quantidades de cordas ou cabelos inevitavelmente se embaraçam.

Literatura
David Sims por seu estudo “Filho da mãe: Uma Exploração Narrativa da Experiência da Indignação com Corporações”.

Medicina
Dan Ariely por demonstrar que remédios falsos mais caros têm mais efeitos que os remédios falsos baratos.

Nutrição
Massimiliano Zampini e Charles Spence por demonstrarem que a comida é mais gostosa quando tem nome mais bonito.

Paz
O Comitê Federal de Ética em Biologia Não-Humana da Suíça e cidadão do país por adotarem princípios legais de que plantas têm dignidade.

Química
Deborah Anderson, Sheree Umpierre e Joseph Hill por descobrirem que a Coca-Cola é um efetivo espermicida; e C.Y. Hong, C.C. Shieh, P. Wu e B.N. Chiang por provarem que isso não é verdade.

Lista dos ganhadores: Folha.

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