Arrogante, eu?

Às vezes a gente comete deslizes enormes e nem percebe. É, mas os outros percebem sim. A coluna dessa semana trata de atitudes arrogantes com quem trabalha com a gente. Veja se você concorda.

Boas maneiras nos negócios

01-05-2008 Na correria do dia-a-dia é comum a gente cometer alguma gafe e não pensar mais no assunto. Pode parecer bobagem, mas convém tomar muito cuidado na maneira como a gente trata as pessoas. Veja se você age assim de vez em quando e saiba como cada uma dessas atitudes é interpretada no mundo dos negócios.


Marcar uma reunião com alguém e deixar a pessoa esperando.
Pois é. Com esse comportamento, a pessoa está demonstrando claramente para quem está tomando um chá de cadeira que tem coisas mais importantes para fazer do que atendê-lo. O tempo do visitante não vale nada e o dela é precioso. Os inseguros geralmente usam esse expediente para demonstrar poder, e os desorganizados, para atrapalhar a vida alheia.

Não olhar nos olhos da pessoa com quem se está conversando. Não dá para imaginar coisa pior do que tentar falar com uma pessoa sobre um assunto e ela não lhe dar a menor bola. A conversa é interrompida à toda hora para dar instruções, assinar papéis ou falar no celular (até atender a um engano é mais urgente que ouvir o interlocutor). Não conheço nenhum jeito melhor para humilhar alguém ou fazê-lo se sentir um estorvo.

Pedir uma proposta “para ontem” e não dar nenhum retorno quando a receber. Tem gente que solicita um plano detalhado em regime de urgência, sabe que ocupou bastante tempo de quem o fez, e mesmo assim não se dá nem ao trabalho de responder que recebeu o documento. A pessoa está querendo mostrar que é tão importante e ocupada que não teve tempo de ler a mensagem. O que não explica essa estranha mania de fazer as pessoas de bobas.

Não retornar ligações de alguém que ligou uma ou várias vezes. Esse chato existe com o único intuito de atrapalhar a vida de quem trabalha. Ignorá-lo é o jeito mais eficiente de lhe comunicar isso sem deixar dúvidas. Um raro caso onde não falar nada já diz tudo o que se pensa sobre uma pessoa. O incomunicável só deve rezar para não precisar dela algum dia.

Não agradecer favores. Há gente que demanda as mais diversas coisas — pede ajuda em um trabalho, quer bibliografia sobre uma matéria, exige o esclarecimento de alguma dúvida, solicita participação em uma pesquisa, reclama o preenchimento de um questionário — quase sempre alguma tarefa que toma bastante tempo e atenção de quem vai responder. É como se o mundo existisse apenas para servi-lo. Para que acusar o recebimento da resposta ou até mesmo agradecer a gentileza? Gente assoberbada de responsabilidades não tem tempo para essas firulas (ela deve considerar o pessoal que faz favores como um bando de desocupados, né?).

Prometer algo e depois não cumprir. Há quem adore recolher cartões de visitas e prometer que vai entrar em contato depois ou mandar algum material. Essa gente costuma guardar os cartões em algum lugar e abandonar completamente o assunto. É claro que celebridades influentes se esquecem sempre desses detalhes. Elas não têm tempo para essas miudezas, estão preocupadas apenas com grandes realizações.

Fazer um serviço “meia boca” quando fica descontente com o preço acertado. Pois é, pelo que o fulano pagou, o serviço está bom demais. O que ele queria? Que competência e brilhantismo fossem desperdiçados com gente que gosta de pechinchar? A excelência e o profissionalismo de alguns estão reservados somente para quem paga bem e variam com a cara e a carteira do cliente. Qualquer semelhança com oportunismo barato não é mera coincidência.

Tratar fornecedores com displicência. É claro, quem eles pensam que são? O que importa são os clientes potenciais (os que já são “de casa” não precisam de frescuras, eles sabem como se virar). Fornecedores são meros serviçais que deviam dar graças aos céus todos os dias por terem o privilégio de vender para esses executivos tão poderosos e importantes.

Criticar os funcionários na frente dos outros. Mão-de-obra, hoje em dia, é um problema, né? Não se pode confiar mesmo nesses cabeças-de-bagre que o chefe crítico cuidadosamente selecionou, treinou e contratou. Além disso, é evidente que a empresa dele está nas mãos de gente incompetente, ele é o único cérebro que funciona lá dentro. Se não fosse a genialidade desse sujeito, a firma já teria ido para o buraco.

Receber um convite e não responder se vai ou não. Pense bem: como é que alguém consegue organizar um evento sem saber quantas pessoas vão? Ainda mais se esse evento inclui comida e bebida? Há pessoas muito desrespeitosas que, além de ignorarem o convite, ainda respondem calmamente, quando interpeladas: “Ah, se der eu dou uma passadinha lá depois”. Tradução: “Estou pouco me lixando para o seu evento – se eu não tiver nada melhor para fazer, apareço para marcar presença”.

Pois é. Esquecer-se de que as nossas atitudes traduzem quem somos e o que pensamos pode ser perigoso. Se você é adepto dessas práticas e ninguém mais quiser fazer negócios com você, não reclame. Não dá para dizer que foi um mal-entendido.

Lígia Fascioni | http://www.ligiafascioni.com.br

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9 Respostas to “Arrogante, eu?”

  1. Dalmir Says:

    Totalmente excelente esse post, ideal pra fechar a semana. Concordo com todos os tópicos Lígia, inclusive tem muito pano pra manga nesse tipo de assunto. Aqui vai mais um pouco de retalhos…receber uma ligação de um prospect pra participar de uma concorrencia, receber varios elogios por trabalhos já realizados (que foi assim que fui encontrado por ele) aceitar o convite, conhecer o possível novo cliente e trabalhar um mês inteirinho na proposta…..tudo ok, a proposta é enviada!!! e passa uma semana e nada de feedbacks, até que depois de duas tentativas a telefonista da empresa passa a ligação ao suposto solicitante e diz: olha, pensei que ele estava mas ele não está, mas se for referente a proposta, ele já escolheu outra, obrigada! ….Obrigado vc querida!

  2. Alexandre Formagio Says:

    Excelente post 🙂

    Coincidentemente falei sobre o assunto do “Fazer um serviço “meia boca” quando fica descontente com o preço acertado” no último post do meu blog.

    Apesar de eu não ser designer e etc, adoro ler seu blog, parabéns.

    Abraço

  3. Alberto Says:

    Pois é, Lígia.
    Aí a gente vê como faz diferença aquele investimento estressante em ficar repetindo para os filhos pequenos: “o que é que se diz para o moço que lhe deu o pirulito, meu filho?” “o que é que se diz para o seu coleguinha cujo carrinho você quebrou (mas pode ser o nariz ou um dedo, também)?” “como é que se pede?” Se a gente deixa de fazer isso nos primeiros 10 anos de vida da criança, outros vão encontrar com essa figura depois e ter essas experiências desagradáveis exemplificadas em seu post.
    Agora, mesmo assim, dá para a gente mudar isso – em nós mesmos, se nos damos conta de gafe cometida (e ler, de vez em quando, um post assim, nos faz lembrar nossos próprios pecados, mesmo que não graves e nem muitos); em nossos colaboradores (nem tudo se pega na entrevista de contratação, né?); e, até, nesses prospects mal-educados – um e-mail ou uma carta gentil, mas firme, “acusando o golpe” e pedindo maior consideração, sem fechar a porta para outras ocasiões, pode ser útil e, no longo prazo, contribuir para melhores práticas em nosso “mercado comum”.
    Obrigado.

  4. Ariane Says:

    Oi Ligia, demorei para ler este artigo. Como sempre eu gosto de todos. Ser perfeito realmente não é fácil. \o/\o/ quero deixar também uma frase que gosto muito:
    “Habilidade é o que você é capaz de fazer.Motivação determina o que você faz.Atitude determina o quanto você faz isso bem feito” – Lou Holtz

    Acho que tem algo parecido com o que você escreveu anteriormente. Cada um pode se avaliar e escolher o que melhor combina com a sua individualidade. Beijos com sabor SwáSthya! Ariane

  5. jonias Says:

    E aprimeira ves que visito este site,não tenho costume pesquisar internete mas confesso que achei super interessate todos os tópicos,e serviu para uma reflexão profunda na minha vida prfissional e até mesmo familiar pois tenho certeza que muitas vezes ajo assim,vou tentar mudar isso apatir de hoje são 7=15 obrigado.

  6. david Says:

    Eu achei isso uma porcaria, porque
    eu pedi gente e nao trabalho arrogante.

    Lígia Fascioni: Muito preocupante se você considera que pessoas arrogantes no trabalho podem não sê-lo na vida social… além disso, não tenho culpa dos resultados que o buscador mostra quando a pessoa não coloca a expressão desejada entre aspas. Só lamento.

  7. Pacco Says:

    Olá, Lígia… Passando por aqui para deixar um comentário básico sobre um arrogante que acha ou imagina que tudo sabe.

    O SABER POR NÃO SABER

    “Sei que nada sei.” Já li essa frase!

    Ah, se soubesse de alguma coisa…
    Tudo não seria assim tão simples, mas se assim o é; é por uma boa razão por não saber o que não se sabe, ou seria uma ilusão saber?
    Ilusão por saber que tudo sabem…
    Ora, saberia que nada sei!
    Se soubesse de alguma coisa… essa coisa seria ou teria algo a saber.
    Se não sei de coisa alguma no saber que se sabe,
    Que julgam saber o que nada sabem…
    De certa forma não saberemos onde e nem quando devemos buscar a sabedoria no saber de quem sabe. “Quem sabe?”.
    Saber é um defeito por saber que sabe e, que não deveria nunca saber; “nunca se sabe”.
    Por imaginar saber que sabes e,
    Porque não procureis saber o que ainda não sabe,
    Isso os levaria para o real saber que não sabem como é verdadeiramente por saber o que se sabe. “Não quero nem saber de quem sabe!”.
    Por pensar que sabe…
    É uma cenografia da cumplicidade por um sabor da mais amarga ilusão de imaginar e
    achar que sabe.
    Simplesmente por não saber e, pela simples razão de ser e não conhecer o saber…
    É sofrer por não saber viver; “vai saber”…
    Sofrer também é saber que vivemos sem saber o real sofrer por não saber, por não querer sofrer sem saber por quê.
    O sofrer por achar que o saber é simplesmente uma razão de viver,
    Viver o sabor do saber, mesmo sabendo que o sofrer também é viver, saber por saber o que ainda não sabemos e, talvez nunca saberemos.
    Aprender a sabedoria do saber, é saber que nada se sabe.

    Paulo Costa (Pacco)

    Um grande abraço.

  8. Pacco Says:

    Reenviando!
    Olá, Lígia… Passando por aqui para deixar um comentário básico sobre “um” arrogante que acha ou imagina que tudo sabe.

    O SABER POR NÃO SABER

    “Sei que nada sei.” Já li essa frase!

    Ah, se soubesse de alguma coisa…
    Tudo não seria assim tão simples, mas se assim o é; é por uma boa razão por não saber o que não se sabe, ou seria uma ilusão saber?
    Ilusão por saber que, tudo sabem…
    Ora, saberia que nada sei!
    Se soubesse de alguma coisa… essa coisa seria ou teria algo a saber.
    Se não sei de coisa alguma no saber que se sabe,
    Que julgam saber o que nada sabem…
    De certa forma não saberemos onde e nem quando devemos buscar a sabedoria no saber de quem sabe. “Quem sabe?”.
    Saber é um defeito por saber que sabe e, que não deveria nunca saber; “nunca se sabe”.
    Por imaginar saber que sabes e,
    Porque não procureis saber o que ainda não sabe,
    Isso os levaria para o real saber que não sabem como é verdadeiramente por saber o que se sabe. “Não quero nem saber de quem sabe!”.
    Por pensar que sabe…
    É uma cenografia da cumplicidade por um sabor da mais amarga ilusão de imaginar e achar que sabe.
    Simplesmente por não saber e, pela simples razão de ser e não conhecer o saber…
    É sofrer por não saber viver; “vai saber”…
    Sofrer também é saber que vivemos sem saber o real sofrer por não saber, por não querer sofrer sem saber por quê.
    O sofrer por achar que o saber é simplesmente uma razão de viver,
    Viver o sabor do saber, mesmo sabendo que o sofrer também é viver, saber por saber o que ainda não sabemos e, talvez nunca saberemos.
    Aprender a sabedoria do saber, é saber que nada se sabe.

    Paulo Costa (Pacco)

    Um grande abraço.

  9. Vânia Mara Cabaldi de Freitas Says:

    Quanto mais leio, mais admiro sua forma de escrever, é um texto solto, agradável, sem rodeios e principalmente sem aquele “ranço” característico de quem já passou á muito do mestrado.
    Espero que nunca percas essa leveza, que se traduz em pura satisfação no momento da leitura.

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