Mentes flexíveis

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Pois é, apesar do site em Flash que é tudo de ruim (além de baixo astral), não pude resistir e gastei HORAS olhando a exposição virtual “O Design e Mente Elástica” no MoMA. Rendeu até a coluna dessa semana. Quer ler? 

O design e mente elástica 

02-03-2008 O que é uma mente elástica? Uma mente que muda de forma, de conteúdo, que enche e se esvazia, que nunca é igual? Para os curadores do Moma, o famoso Museu de Arte Moderna de Nova York, mente elástica é o resultado da adaptabilidade multiplicada pela aceleração, onde o design e a ciência se fundem. Pois é isso mesmo que o design está precisando.

 

Então, se você está pensando em ir à Big Apple, não deixe de visitar a mostra “O design e a mente elástica”. Eu, infelizmente, não estou planejando ir, mas até o dia 12 de maio, quando a exposição termina, muita coisa pode acontecer, né? De qualquer maneira, você pode fazer uma visitinha virtual no site (www.moma.org) e ver coisas incríveis que vão fazer a sua mente dar pulinhos atléticos.

 

Dei uma geral e selecionei as mais peculiares, quer dar uma olhada? Mas não se assuste, mentes elásticas costumam ser atrevidas, desafiadoras e, às vezes heréticas. Inovar implica arriscar, ousar, ter coragem e audácia. Está preparado?

 

Comecemos pelos objetos conceituais, aqueles que ainda não existem e talvez nem venham a fazer parte do nosso mundo, mas que eventualmente visitam mentes elásticas. Tem uma invenção um pouco assustadora chamada telepresença social. Uma pessoa veste o equipamento e todos os seus sentidos são registrados e transmitidos ao cérebro de outra. Assim, um paraplégico pode pegar o corpo de uma pessoa “emprestado” para correr no parque ou dançar na balada. Já pensou que coisa louca? As celebridades iriam entrar em polvorosa, pois seria o fim dos segredos de alcova…

 

O designer James Auger está preocupado com a sustentabilidade do planeta e dos efeitos psicológicos que as pessoas sofrem com a perda de um ente querido. Ele bolou um sistema que aproveita a energia química da decomposição dos sucos gástricos de um defunto para carregar uma bateria especial. A energia poderia ser usada para  fazer funcionar desde lâmpadas instaladas em cima do túmulo (nossa, que tétrico), até, pasmem, um vibrador! Diz ele que seria uma experiência transcedental, afinal, é a energia do ser amado que está alimentando o brinquedinho. Bizzarro, né? Não reclame, eu avisei…

 

Já o designer italiano Elio Coccavale teve uma idéia muito original para as complicadas famílias contemporâneas. É que, segundo ele, hoje, para gerar um bebê, é necessário o envolvimento de 5 pessoas: a que doa o sêmen, a que doa o óvulo, a dona da barriga que vai parir o rebento e ainda o casal (qualquer combinação de gêneros vale) que vai criá-lo e educá-lo. Para que esse povo todo possa participar do milagre da vida, ele criou um balão que tem o tamanho natural de uma barriga. Conforme o tempo vai passando, o balão vai inflando. O kit inclui ainda um alfinete (para estourar o balão quando o nenê nascer) e uma moldura para enquadrar o inusitado objeto e guardar de lembrança da gravidez. Não dá para dizer que os caras não são criativos, concorda?

 

Crispin Jones tem uma série de gadgets chamados celulares sociais, que cuidam para que o convívio em lugares públicos não seja afetado por esses perturbadores aparelhinhos. Um foi bolado para que, quanto mais uma pessoa fala alto no celular em lugares públicos, mais choques o interlocutor do outro lado leva. Assim, ninguém mais vai ficar pedindo para você falar mais alto. Tem uma outra versão onde o indivíduo precisa cantarolar o trecho de uma música para fazer a chamada. O constrangimento em fazer pocket shows em público serve de dica para a pessoa se tocar que o local não é o mais adequado para ligações. Sutil, heim? Tem ainda uma arma poderosa, que gera uma interferência com barulho de bombas nos celulares de quem estiver falando por perto. Bom para uso em ônibus, restaurantes e elevadores.

 

Já Lise Lefebvre, num belo dia de inspiração, parou para pensar que os sons dos objetos domésticos também deviam ser incluídos nos projetos de design. Sua proposta é estudar os efeitos do barulho (e do não-barulho) na experiência de uso da mesma maneira que a textura, a aparência, a escolha das cores e das formas. Então, para ela, a batedeira e o liqüidificador deveriam produzir um som agradável enquanto fazem o seu trabalho, em vez daquele ruído irritante. Puxa, agora que ela levantou a questão fico pensando como é que ninguém teve essa idéia antes… Lise tem razão, não combina nada o vrrrruuuummm jurássico com as linhas arrojadas do aspirador de pó.

 

Se você acha que já viu tudo sobre inovação é porque ainda não conhece as inusitadas biojóias. Quer dar uma lembrança inesquecível à sua amada? Pois os artistas tiram uma lasquinha de um osso seu e cultivam o material até que ele se transforme num pedação. Com isso, eles esculpem jóias e incrustram pedras preciosas para dar mais glamour. Sei lá, achei um pouco sinistro. Já pensou ganhar um ossinho enfeitado desses?

 

Menos exótico mas também original é o tênis que armazena a energia cinética dos seus passos para carregar uma bateria. Com a energia, você pode instalar uma lâmpada e transformar o calçado num abajour depois que chega em casa, por exemplo.

 

Mas o que eu mais gostei mesmo foi o celular conceitual da Nokia, que é flexível e se transforma em uma pulseira autolimpante com baixo consumo de energia.

 

Ah, agora sim, dá para sentir os efeitos do alongamento. E são 300 trabalhos para escandalizar, encantar, e, principalmente, para praticar bastante. E você, já exercitou a sua mente hoje?

 

Lígia Fascioni

http://www.ligiafascioni.com.br

 
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